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"Roupas sujas" no 233 graus

Alexandre Barreto
https://233graus.com.br
21/12/2017

“A mãe faleceu no último parto. Nem pôde ver a criança: morreu com o filho atravessado na barriga. Na colônia, nos anos 1970, ainda era comum nascer em casa. O pai acudiu aos berros da parteira e, antes de chorar pela mulher, puxou da cintura a faca e lhe abriu o ventre, salvando o menino. Batizou-o Pedro, ele que veio ao mundo quebrando as vidraças do que todos consideravam um lar, feito uma pedra. Por óbvio, a analogia não ocorreu àquele homem rude; foi sobretudo um fato.”

Logo no começo a gente já é recebido com esse soco do autor. Que vai se prolongar ao longo do livro com a história de uma família marcada pela perda dessa figura materna, pela brutalidade da vida e pela beleza que ainda assim reside nela.

“Roupas sujas” é um livro de impacto, poderoso. Os capítulos curtos, de duas a três páginas, ajudam esses pequenos “socos” do autor. São jabs que ele vai desferindo contra a gente e que vão nos cativando – basta ler o primeiro capítulo pra não conseguir mais desgrudar dessas páginas.

Conta a história de uma família no meio rural do Rio Grande do Sul, com as dificuldades e asperezas da vida no campo em uma família de muitos integrantes mas poucas palavras, em que a presença mais constante é a da ausência da mãe. Começa narrado por um dos filhos, de 8 anos, para ter sequência, mais perto do fim, pelas cartas que a irmã, muitos anos depois, envia para esse primeiro narrador. Um livro sobre relações familiares, sobre a vida, sobre silêncios e lembranças.

Leonardo Brasiliense
29/01/2018

 

 

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