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Vamos discutir a relação, meu bem.

Ela começa carregando o tambor. Eu não tenho nada significativo à mão. Ela conta as balas olhando em meus olhos. Recuo até a pia da cozinha e pego a maior faca da gaveta. Agora sou uma ameaça então ela atira, primeiro em minha barriga, depois erra o peito mas arranca meu braço esquerdo. Por sorte sou destro e antes de cair acerto-lhe a faca no meio da testa. Com o cérebro repartido sua mira continua perfeita, estraçalha meus dois joelhos em um segundo. Antes de cair alcanço a tesoura em cima do balcão e cravo-lhe no calcanhar. Ela desaba. Os dois no chão, tento lhe tirar o revólver mas é tarde, temos que ligar para minha sogra e perguntar se eles vêm pro churrasco de domingo.


(em Corpos sem pressa, Casa Verde, 2014)

Leonardo Brasiliense
08/04/2015

 

 

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