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Whatever, não se importe, tanto faz.

Tobias Goulão
http://quadricu.wordpress.com/2013/08/08/whatever-nao-se-importe-tanto-faz-livro/

A adolescência é um período da vida no qual muita gente se torna incompreendido. Tão incompreendido que nem mesmo esses adolescentes se entendem. Deixam a vida leva-los para onde quer que seja. Não se importam, para eles tanto faz.

Esse é o clima do livro de Leonardo Brasiliense “Whatever”. Nele encontramos contos sobre um garoto comum, João Pedro, que vive uma vida comum. Classe média, escola de classe média, envolvido por preocupações de classe média. Tudo para João é tão inútil e sem sentido que ele já entregou os pontos. Um garoto que carrega a grade marca de uma geração: tanto faz. Sim, ele não se importa com muita coisa, na verdade, com nada.

Ele já está ciente do que passará no futuro. De seu trabalho mediano, de sua vida mediana, de suas histórias medianas. Se tudo se resume a isso, qual a razão de se preocupar com o que acontece agora? Nem mesmo os seus colegas são interessantes. Até que aparece alguém, um cara que como ele também não se mostrou interessado ou preocupado com alguma coisa. Mas no fim da história, João estava enganado “ele tinha esperança”. Com garotas também não demostra muito interesse. Na verdade, uma voz o fez pensar sobre, mas foi uma voz que foi e não voltou. Passou, sendo assim, não importa.
E sobre o que fazer no futuro? Ele também não sabe. Entrou em um curso qualquer para fazer o vestibular. Escolha que por sinal não fez a vontade da família, mas já serviu. Bom, foi lá e fez, passou e agora é seguir em frente. Mas que frente?

Um cara assim, melancólico próximo à depressão e que não se permite preocupar com nada acaba por chamar a atenção. Hora você o odeia, mas como você também deve ter (ou já teve) um lado “whatever” provavelmente se identificará com ele em algum momento. Talvez esse seja o principal elemento que encontramos no livro. Esse conjunto de contos interligados (que quase podemos chamar de um romance, próximo a um romance de formação) mostra um pouco do que vemos na juventude contemporânea. Uma quantidade enorme de pessoas que tem acesso a muito, mas que na verdade não fazem nada. Não são nada e nem se preocupam em ser (aqui abro um parêntese para lembrar que essa história do livro tem um pouco do que é tratado na série ‘A Menina Sem Qualidades’ da MTV).

Com uma escrita fácil, trazendo no decorrer da narrativa muito do que está presente na vida da juventude atual (como Harry Potter, Google, shopping, globalização, etc.) é fácil começar e terminar. Uma coisa engraçada é que ao longo do livro os palavrões são substituídos, por motivos editoriais com relação a livros para o público juvenil, pela palavra flor. Isso faz até umas situações ficarem engraçadas. Outros momentos têm notas explicativas sobre uso de determinados termos para que a patrulha do politicamente correto não caia matando sobre o pobre autor.

Vale a leitura, principalmente para os mais jovens, pois lembrando o que Salinger escreveu em “O Apanhador no campo de centeio” no diálogo de Holden Caulfield e seu professor, no qual este diz ao jovem que uma hora ele irá encontrar algo, no casso do livro do Salinger, será a vontade de conhecer e descobrir que não é a primeira pessoa que se sentiu estranho no mundo.

E já que me lembrei do Salinger ao terminar o livro do Leonardo, ficam então aqui duas dicas: a primeira, o livro “Whatever”, nacional, de Leonardo Brasiliense. E o clássico “O Apanhador no campo de centeio” de J. D. Salinger. É como diz o ditado, um livro sempre leva a outro.


21/08/2013

 

 

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