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Juventude em poucas linhas

Carlos André Moreira
Zero Hora (Porto Alegre, 26/04/2007)

É possível condensar em poucas linhas as questões fundamentais de uma idade apressada como a da adolescência? É a tarefa a que se propõe o escritor gaúcho Leonardo Brasiliense, que autografa hoje às 19h30min na Livraria do Arvoredo Adeus Conto de Fadas (7 Letras, 84 páginas, R$ 20), uma reunião de microcontos sobre as agruras da adolescência.

Brasiliense não é estreante no formato. Seu primeiro livro, Meu Sonho Acaba Tarde, publicado pela WS em 2000, era dividido entre narrativas mais extensas e textos que não chegavam a ocupar uma página. O segundo livro, Desatino, que saiu pela Sulina em 2004, voltava à narrativa de largo fôlego. O retorno às histórias brevíssimas, agora pela editora carioca 7 Letras, se dá com uma mudança de foco. É o primeiro livro de Brasiliense voltado para o público infanto-juvenil, seguindo uma sugestão que lhe foi dada pelo amigo e também escritor Luís Dill e pela professora Elaine Maritza.

- Até começar esse livro, nunca havia pensado em escrever para esse público - comenta o autor, médico de formação e funcionário da Receita Federal.

São mais de 70 textos, todos com no máximo meia página. Alguns se limitam a poucas frases. Em alguns momentos, o tom é lírico e compadecido, como o do jovem que emudece pelas alterações de timbre de voz da adolescência, e muitas vezes é humorístico, sarcástico, um texto cujo final nega sua breve construção, como no caso do garoto que se declara para outro menino e ouve uma rejeição polida na forma mas agressiva no conteúdo.

Porque na adolescência também há espaço para a crueldade.


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